domingo, 6 de novembro de 2016

nublada

Rio nublado
suado
apressado
pra onde
pra quando
não responde
e amando
no desmando
se impõe assim
meio carmim
meio fado

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

silêncio

A praia de todos os dias
de repente se torna areia e mar
infinitos
para acolher o infinito do nosso
silêncio
Tudo branco e o azul dos olhos não azuis
cravado no tempo, que não existe
Olhos tristes
carregando terra e sal
tanto bem tanto mal
E as palavras são o vento,
manso,
o farol intermitente que
responde às perguntas em pensamento,
o descanso
da espuma sob o luar
da nuvem sobre os morros
morrendo de se amar
E a estrela que se acende
apenas para iluminar,
por um breve infinito dentro do infinito,
os lábios proibidos
prolongando o silêncio e o mar



segunda-feira, 23 de maio de 2016

de longe

Te vejo de longe
E fico confusa
Por te querer sem te chorar
Por te amar sem te saber
A multidão entre nós é difusa
Achei que te vi, será que te vi
Será que existe você
Será que te perdi
Fecho os olhos e caminho às cegas
Vou esbarrar em você
Assim, de olhos fechados
Vou esbarrar em você
Meus cabelos vão penetrar os teus
Sem aviso prévio sem apresentação
Minhas mãos vão tropeçar nas tuas
E pressinto que nesse instante as ruas
Se esvaziarão


segunda-feira, 2 de maio de 2016

relance

A noite espreita na portada
E o meu quarto quieto quase nada
E todo esse tudo por dentro da pele repele
Repensa repete relance de alma

Me deixo ir só mais um pouco
Pelo muito da pele luar louco
Me ilumina me ilude me iliba
O erro adormece certo e eu sonho