domingo, 21 de julho de 2013

en-luarada


Estava eu caminhando e cantando e seguindo a canção (efetivamente, a melodia de Geraldo Vandré soava ao longe, entoada por uma guitarra inspirada algures por aí), quando, do cimo da montanha, subitamente levanto o rosto e dou de caras com a lua cheia mais tremenda que eu já vi. O pessoal continuou caminhando e nem reparou. Eu parei pra ficar olhando. O pessoal meio que estranhou. E eu meio que estranhei o pessoal. A lua estava maior do que nunca (parecia daqueles filmes em que fazem efeito especial pra ela ficar enorme), estava mais branca e, por isso, mais nítida, mais nua, mais exposta. Deu-me a impressão de lhe estar vendo segredos nunca antes vistos. Será que só eu que testemunhei o breve delírio da lua?

Aproveitei, está claro, para lhe pedir um monte de coisa. A gente, humano, é assim: não pode ver um espetáculo no céu que sai logo pedindo, rezando! O mistério que nos perturba é também, afinal, o que nos salva.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

mais feliz quem sabe

eu chegava no lugar que chamo de meu, vinda do mistério de quem sou. no rádio, a voz quente de Bethânia entoou "ando devagar por que já tive pressa..." no mesmo instante em que uma bola incandescente despontou lá no fim do mar, que é o começo de tudo, e subindo, subindo, tão devagar, era bela e de verdade...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ataque de nervos

Estou à beira de um ataque de nervos
a ponto de me arrancar os dedos
e retorcer o tempo no meu peito
pintando de nada o vazio sem jeito

Estou a ponto de quebrar estrelas
com dilacerados lances de pedras
Mas os rios...

Os rios continuam correndo
na sua irritante calmaria lenta
A chuva vai, soberana, chovendo
E o sol só quando quer esquenta

Nada é quando, tudo é como
Muito é quanto e pouco é onde
Mas e eu...

Eu que espere, me esmere, supere
me sacrifique e me explique
pra mastigar depois da fúria
o mesmo vazio que me cura.

Eu só procuro, a céu aberto,
o lado de lá do esqueleto...


sábado, 2 de fevereiro de 2013

que se dane


memórias saudades amores desamados sonhos glórias glamours cidades fados rancheras sambas olhares solidões prisões perdões rasgados lágrimas mares medo que se dane eu danço com ele e erro por aí até. porque lá fora do passado e do futuro faz presente e só aí há cores cores cores.