domingo, 18 de novembro de 2012

leblon novembro dois mil e doze

Estava, ali, no banquinho, olhando o mar amanhecido acariciando a rocha e a areia quase deserta, quando vi um bando passar sob a aquarela de nuvens, formando um desenho em perfeita geometria.

Achei lindo, claro.

Só que, um minuto depois, passou apenas um pássaro.

Um só. E então pensei:

... o verdadeiramente lindo é esse pássaro solto na sua solidão de mar e céu, alternando entre o vôo e o plano, gozando, roçando as águas e os raios de sol, pra lá e pra cá, pra onde quiser, se surpreendendo nas direções, nos rumos, único, imenso, forte, inteiro e entregue à sua natureza. 


O sol então despontou por entre as nuvens e nasceu este domingo vibrante.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

teatro!

Eu acredito intensamente nesse ser apaixonado que vai nascendo das próprias dores, as que já eram suas e as que chamou a si, esse ser que pode ser tudo e todos e que, ainda assim, ou por isso mesmo, carrega toda a suavidade e toda a beleza do universo. Um tocador do divino. 

Acredito no Ator que mergulha num buraco negro, aí se banha e morre de prazer abstrato e que, depois, precisa voltar à superfície - do tempo, do espaço e das formas - e, numa entrega descarnada e segura, transforma a viagem em prazer concreto, para finalmente (fazer) viver. Para, enfim, servir – mundos, histórias, almas – aos outros. Para fazê-los, mais do que imaginarem, mais do que sentirem, se transportarem junto com ele para aquele lugar que ele desenhou e atingirem, ali, um pouco da mesma felicidade humana – mesmo que na tristeza, mesmo que na fragilidade, mesmo que na podridão. E, então, o preconceito foi banido. O absoluto foi vislumbrado. O homem se faz humano.