quinta-feira, 7 de abril de 2011

prazer!


Eu sou o pássaro que escuta
os perfumes da madrugada
a baiana que batuca
a cigana inflamada
os ciúmes os desejos
a bruxa e a fada
eu sou os beijos todos do mundo
e da lua e de saturno…
eu sou o segundo!
o tudo ou nada
o bemol mais triste do noturno
mais o sol que arde na estrada
eu sou o caminho distante e sozinho
sem chegada
sou índia loira negra
eu não entendo a regra
nem ela me entende a mim
eu sou de onde eu vim
sou exatamente o que sinto – e eu não minto
ô gente, eu não amo para ser amada!
eu amo porque me chamo amor!
eu faço do instinto o instante
abraço a dor e vou adiante
descarnada...
sou Débora Regina Simone
eu sou a fome
de ser eu e ser a outra e todos os outros
fome que vive morre de fome
alucinada…
que depois se levanta
e como se nada fosse ter morrido!
olha doce, abre os braços e canta!
e segue, alegre, contudo, com nada
à frente dos próprios passos
pacificada.

Eu sou o dia em que eu não mais direi “eu sou”.

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