segunda-feira, 18 de abril de 2011

hoje não

Devolva meus passos
meu andar sozinha
os momentos escassos
em que foi minha
e todas as luas
que perdi te olhando
devolva às ruas
despovoadas de nós
- mas quando?
Só te peço que hoje não.
Hoje não.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

oásis

chegar e se inebriar
extasiada de nada
- cadê?
estilhaçou-se em pólens
a magia concreta
que de tão secreta
hoje parece sonhada
- você

quinta-feira, 7 de abril de 2011

prazer!


Eu sou o pássaro que escuta
os perfumes da madrugada
a baiana que batuca
a cigana inflamada
os ciúmes os desejos
a bruxa e a fada
eu sou os beijos todos do mundo
e da lua e de saturno…
eu sou o segundo!
o tudo ou nada
o bemol mais triste do noturno
mais o sol que arde na estrada
eu sou o caminho distante e sozinho
sem chegada
sou índia loira negra
eu não entendo a regra
nem ela me entende a mim
eu sou de onde eu vim
sou exatamente o que sinto – e eu não minto
ô gente, eu não amo para ser amada!
eu amo porque me chamo amor!
eu faço do instinto o instante
abraço a dor e vou adiante
descarnada...
sou Débora Regina Simone
eu sou a fome
de ser eu e ser a outra e todos os outros
fome que vive morre de fome
alucinada…
que depois se levanta
e como se nada fosse ter morrido!
olha doce, abre os braços e canta!
e segue, alegre, contudo, com nada
à frente dos próprios passos
pacificada.

Eu sou o dia em que eu não mais direi “eu sou”.