segunda-feira, 14 de junho de 2010

caminho das estufas

O caminho das estufas, terra e verde, o horizonte e o peito abertos, as cores serenas, pinceladas a pastel por dentro dos olhos que vão lá para trás, para trás, para trás...



Corro. Eles correm comigo. Rimos, abraçamos o céu, caímos sobre as flores. De repente, acreditamos ter descoberto uma pedra preciosa, recomeça a aventura... A seriedade com que somos felizes!

Da minha árvore de copa larga e densa, vejo as árvores deles e eles e todo o resto do mundo. A manhã é longa e a tarde mais ainda. Tempo infinito. Tempo que não existe. As noites são de grilos e estrelas.

Histórias e histórias... verdadeiras e de encantar... Minha história.
Canções da Beira Baixa... muitas, à lareira.
As vozes carregadas de terra, mar e canela. Eternas.

Abro as janelas de madeira verde e passarinhos vêm pousar. Bom dia! Ouço o radiozinho do meu avô. Cheiro o café e as torradas da minha avó.
A água gelada.
O coração tão quente...



Caminho das estufas... Fecho os olhos por dentro dos meus olhos fechados e respiro novamente o ar puro, virgem de vida. Eu já sabia que um dia voltaria ali - diferente, mas a mesma.

Eu já sabia que partiria.

3 comentários :

Bra disse...

O tempo era tão lento...e tão nosso!

Maria Inês disse...

Carolina, amei o texto. Sentido, lindo!
As recordações que guardamos desses tempos são, de facto, maravilhosas.
Bonita homenagem!
Beijinhos

Maria Inês

carolina floare disse...

Mesmo, Bra! Que saudades!
Inês, obrigada, é bom regressar em forma de poesia.