terça-feira, 29 de junho de 2010

cigana

eu-cigana-que-sou
não tenho chão
só tenho céu.

não tenho coração
não - não o possuo não!

ele é maior do que eu.

é o horizonte que eu abraço
com a fé toda dos braços

e assim meu caminho se vai iluminando
surpreendentemente
para-além-da-dor...

e assim sou feliz
assim de repente

amando

a mando desse algo maior.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

sete luas

lua bela em copacabana.

caminho de luar no mar tranquilo, mar que nos últimos dias andava tão agitado sem razão.

o brilho é eterno, seja de lua cheia ou meia, ou mesmo, de repente, invisível - o brilho é eterno. seja refletido na imensidão das ondas ou na imensidão da profundidade - o brilho é eterno.

e me conduz com a certeza do certo e o espanto do milagre.

as mãos atadas sem fios, no caminho da eternidade. meu peito aberto - ao horizonte. meu olhar dentro do dela.

em copacabana, a lua - ainda mais bela.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

caminho das estufas

O caminho das estufas, terra e verde, o horizonte e o peito abertos, as cores serenas, pinceladas a pastel por dentro dos olhos que vão lá para trás, para trás, para trás...



Corro. Eles correm comigo. Rimos, abraçamos o céu, caímos sobre as flores. De repente, acreditamos ter descoberto uma pedra preciosa, recomeça a aventura... A seriedade com que somos felizes!

Da minha árvore de copa larga e densa, vejo as árvores deles e eles e todo o resto do mundo. A manhã é longa e a tarde mais ainda. Tempo infinito. Tempo que não existe. As noites são de grilos e estrelas.

Histórias e histórias... verdadeiras e de encantar... Minha história.
Canções da Beira Baixa... muitas, à lareira.
As vozes carregadas de terra, mar e canela. Eternas.

Abro as janelas de madeira verde e passarinhos vêm pousar. Bom dia! Ouço o radiozinho do meu avô. Cheiro o café e as torradas da minha avó.
A água gelada.
O coração tão quente...



Caminho das estufas... Fecho os olhos por dentro dos meus olhos fechados e respiro novamente o ar puro, virgem de vida. Eu já sabia que um dia voltaria ali - diferente, mas a mesma.

Eu já sabia que partiria.

sábado, 5 de junho de 2010

es-pranto

Fiquei. No espanto de não me espantar, de não chorar, de não saber o que sentir. Confusão.

Olhei. Espanto a inércia, choro as horas, sinto o que não sei. Toda coração.

Já vou. Estarei por aí... Esperando por mim.